Estamos a viver um período de transição e somente o futuro poderá julgar serenamente as mudanças que a tecnologia produziu na nossa vida. A nós resta-nos a maravilha a liberdade e o privilégio que é concedido aos pioneiros
Talvez daqui a uma dezena de anos conte ao seu filho, a origem daquele álbum empoeirado com as fotografias da infância da mãe e do pai, quando ainda não existia Internet. Isto porque o seu filho terá o seu álbum em dvd, para ver directamente no ecrã ou no blog pessoal, iniciado pelos pais quando ele ainda estava dentro da barriga da mãe.
Se pensarmos nas poucas fotografias que fixaram a nossa infância, ficamos desconcertados, comparando-as com a quantidade de imagens que retratam os nossos filhos. Começa-se já durante a gravidez, com as fotografias ecográficas ou os vídeos tridimensionais. A facilidade de utilização permitida pelas máquinas fotográficas digitais, os telemóveis com câmara de vídeo, as “web cam” que nos retratam enquanto conversamos com os familiares que vivem longe, através do computador, são instrumentos que amplificaram ao máximo as possibilidades da comunicação através da reprodução das imagens. Estas possibilidades são alimentadas também pela nossa cultura, centrada no sentido da visão - a vista, a visibilidade e a visão ela mesma.
Para quem não tem muitos conhecimentos informáticos, existem sites que oferecem, gratuitamente, a possibilidade de criar e partilhar os próprios álbuns fotográficos, com amigos e familiares, através de um link e de um código de acesso reservados. Os providers mais importantes oferecem um espaço para dedicar ao próprio site pessoal ou ao próprio álbum fotográfico e quem tiver alguns conhecimentos técnicos, suficientes para criar um site simples, pode dedicar este espaço ao próprio filho. Tomando todas as precauções (de privacy e de segurança) que uma operação do género exige, é uma ideia simpática, sobretudo para quem tem familiares que vivem longe e que podem, desse modo, acompanhar “à distância “ o crescimento do bebé. O maior obstáculo que é necessário ultrapassar é a desconfiança em relação a estes instrumentos, principalmente para as pessoas menos jovens. Mas, se até há pouco tempo atrás, os avós se recusavam até a utilizar o telemóvel, queixando-se dos números demasiado pequenos e da dificuldade de utilização, bastará dar-lhes uma motivação válida (por exemplo, ver os primeiros passos do netinho), para desencadear a “caça” à actualização que nenhum limite, de idade ou físico, poderá impedir.
Os famosos diários on-line, os denominados blogs (que oferecem também a possibilidade de manter o acesso privado) dentro em breve estarão ao mesmo nível ou até mesmo substituirão os álbuns dos bebés, nos quais se anotavam o momento do primeiro dentinho, as primeiras papas e as primeiras palavras. Dia após dia, dão a possibilidade de escrever um diário do seu bebé, enriquecendo as descrições com os movimentos, palavras e a voz do bebé através de gravações de vídeo e áudio. São experiências e nós somos pioneiros. De facto, mesmo não sendo exactamente os primeiros a fazê-lo, os especialistas já o fazem e não é difícil prever que estes instrumentos, num futuro próximo, sejam um património comum a todos. E quem sabe... com que resultados! A vantagem é que, contrariamente às fotografias coladas num álbum, o diário virtual permite efectuar continuamente, actualizações e melhoramentos. |