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Familia e sociedade

A relação com os avós

Poder contar com a disponibilidade dos avós é um recurso que se pode revelar preciosíssimo, tanto do ponto de vista prático como, principalmente, do ponto de vista educativo.

Viver em contacto com os avós é uma experiência que enriquece profundamente a criança. De facto, para a criança é muito importante viver situações afectivas diversificadas e conhecer modelos culturais diferentes, desde que sejam reciprocamente respeitosos. A  relação com os avós põe a criança em contacto com o passado e com as suas origens. As crianças que tiveram experiências afectivas significativas com os avós desenvolvem uma especial sensibilidade ao desenrolar do tempo, à história e desenvolvem uma capacidade de empatia e de compreensão dos sentimentos dos outros.

Por isso, poder contar com a disponibilidade dos avós é um recurso que se pode revelar, altamente valioso, tanto do ponto de vista educativo e afectivo, mas também – e, este aspecto não deve ser subestimado – do ponto de vista prático, se a mãe e o pai  trabalham ou se desejarem gozar algumas horas de liberdade.
A instauração de uma boa relação de colaboração com as famílias de origem e a possibilidade de contar com um apoio é, pois, uma vantagem importante, mesmo sob o aspecto económico. É aconselhável, no entanto, ter em conta que os avós de hoje não são como os de antigamente: frequentemente, têm uma vida cheia de compromissos e não se pode pensar que estejam disponíveis de modo incondicionado.

Se disponíveis, em todo o caso, o papel dos avós não deve ser confundido com o dos pais e é a estes últimos que cabe a tarefa de criar o filho e de tomar as decisões fundamentais.
A sobreposição dos papéis, efectivamente, para além de criar desagradáveis tensões dentro da família, pode suscitar grande confusão na criança, podendo interferir no seu normal desenvolvimento. Para evitar que isto aconteça, é aconselhável clarificar, desde o início, que os avós, para além de ajudar a mãe, devem representar para as crianças um espaço de prazer. Também os avós, não tendo a responsabilidade primária da educação, ficam disponíveis principalmente para o prazer de estar com os netos, presenteando-se reciprocamente com momentos de serenidade e de brincadeira. Aos avós cabe a alegria de os mimar, mas sem nunca porem em questão as regras estabelecidas pela mãe e pelo pai.

Para a criança, os avós não devem ser um refúgio forçado. É aconselhável, por exemplo, evitar mandá-la de férias com avós que não conhece bem. É melhor deixar que se conheçam gradualmente, instaurando uma relação adequada, coadjuvada pela presença inicial da mãe.

 
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