Dias pesados e cansativos? Não deve pretender o prémio de "mãe do ano". Em vez de se fechar em si mesma, compadecendo-se, telefone a uma amiga e converse com ela
O período que se segue ao nascimento de um filho é, para a mulher, um momento muito delicado. Todo o dia é dedicado a cuidar do bebé: tarefa entusiasmante mas também não isenta de erros, dúvidas e crises de desconforto. A tarefa de ser mãe, também está associada, frequentemente, a uma condição psicológica de grande vulnerabilidade. Fala-se muito da depressão pós-parto ou baby-blues e se a justificação médica está nas variações hormonais que se seguem ao parto, não devem ser subestimados outros aspectos da questão. Sobretudo, é necessário ter em consideração que segundo alguns estudos recentes, a maior parte das mulheres que se sentem deprimidas depois do parto negam ou tentam dissimular o próprio estado.
Com efeito, não é fácil, numa época que cristaliza as emoções quotidianas em cenas de “telenovela”, deixar transparecer sentimentos negativos, ligados a um acontecimento “maravilhoso” por definição, tal como é o nascimento de um filho. Também é necessário referir que devido à baixa taxa de natalidade, hoje em dia, há um enorme investimento em cada filho. Tudo isto faz com que a mulher que deu a luz há pouco e que sente que algo não funciona no seu estado de ânimo e no seu humor, se sinta culpada e tenha a tendência a envergonhar-se do seu próprio mal-estar. Não encontrando escape, este mal-estar não se metaboliza e piora.
Nestes casos, é fundamental que a mãe encontre um apoio emotivo, para ter a possibilidade de falar acerca dos seus pensamentos e das suas ansiedades, com alguém que seja capaz de oferecer um apoio concreto e sobretudo afectivo. Frequentemente, o companheiro está envolvido directamente nas tarefas dos primeiros meses e também ele dorme pouco e sofre de uma certa ansiedade, relacionada com as mudanças radicais da sua vida. Por estes motivos, poderá não ser a pessoa mais indicada para ouvir os “desabafos” da própria companheira.
Muitos psicólogos denunciam há algum tempo, a falta de uma “rede de contenção” para as mães depois do parto, que no passado era constituída pelas famílias de origem e pelas amas e que hoje em dia não existe. Actualmente, as puérperas vivem, muito frequentemente, uma condição de grande solidão que se pode transformar em isolamento, com a sua carga de ansiedade, no caso de um bebé irrequieto, com falta de apetite ou com insónias.
Uma ajuda preciosa, nestes casos, é a rede de amigas. Ter alguém que já viveu ou que está a viver a mesma experiência ou que simplesmente gosta de nós e, portanto, está disponível para ouvir, reconfortar e ajudar, transforma radicalmente o nosso modo de enfrentar as dificuldades. A possibilidade de fazer um telefonema a uma amiga nos momentos de desânimo, significa recortar para si um espaço pessoal, receber um apoio que a valoriza não só como pessoa mas também como mãe ou companheira. Uma espécie de barragem de contenção que evita que a situação piore, isto é, que se transforme em conflito proprio ou em isolamento. Outro aspecto importante, é falar com alguém que nos permita focalizar os problemas reais, que é o primeiro passo para uma solução. Isso permite-nos compreender que não devemos pretender vencer o prémio de “mãe do ano” e que se precisamos de ajuda, devemos pedi-la, sem pensar que isso nos desvaloriza ou que representa um falhanço. |