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O seu filho

Terapia do Canguru para bebés prematuros

Todos os bebés precisam de sentir o contacto físico e epidérmico com os pais e, nos primeiros tempos, sobretudo com a mãe. Para os bebés prematuros, este contacto produz mesmo um efeito curativo

Quando um bebé nasce antes do tempo, precisamente porque não concluiu todo o período de gestação, é mais pequeno, mais frágil e está mais exposto a infecções. Até há poucos anos dava-se prioridade, quase exclusiva, aos cuidados médicos e o bebé, como que numa brusca passagem desde o útero materno para o mundo externo, era colocado numa incubadora artificial, “fria” e barulhenta, na qual as mãos dos médicos o moviam e lhe tocavam de modo profissional e desprendido.

Contrariamente, nos últimos anos, foi descoberta não só do ponto de vista psicológico mas também físico, a importância que tem para o bebé o facto de estar perto da mãe. Um bebé prematuro necessita de se sentir protegido e circundado pelo amor dos seus pais. É demasiado pequeno para ter consciência e, como tal, estas emoções passam através do contacto físico, do calor da pele, do tacto, dos cheiros e também dos sentidos da vista e da audição: o bebé sente-se embalado pela voz da mãe, como quando estava no útero... Os estímulos que recebe (visuais, tácteis, auditivos) com os quais estabelece uma interacção e aos quais se sente profundamente motivado a responder, ajudam-no a recuperar o tempo intra-uterino perdido. É demonstrado por muitas clínicas de neonatologia que os bebés prematuros aumentam de peso muito mais rapidamente quando têm um contacto corporal com os pais.

Por este motivo, foi introduzida a "terapia do canguru" e, pelos mesmos motivos, é praticada a massagem infantil. Ambas as técnicas criam um vínculo afectivo, para além de reforçarem a relação  pais-filho e provocarem um estado de bem-estar geral do recém-nascido.

A terapia do canguru (denominada também KMC, isto é, Kangaroo Mother Care) foi inventada em 1978 por Edgar Rey em Bogotá, na Colômbia. A ideia era encontrar uma solução para a carência de incubadoras e para o impacto da separação entre os bebés e as mães, sendo pois, uma resposta alternativa ao tratamento tradicional dos bebés prematuros, em terapia intensiva.
Beijos, carícias, miminhos, palavras afectuosas e, sobretudo, contacto epidérmico com a mãe. Estes são os elementos essenciais que nunca devem faltar, para que o bebé possa crescer, sem problemas psicofísicos.
A terapia do canguru permite “acarinhar” um bebé que ainda necessita de cuidados hospitalares e que, portanto, não pode ir para casa, um bebé com baixo peso que necessita de passar algum tempo na incubadora.  Segundo este tratamento, a mãe (mas o pai também o pode fazer) vai duas ou três vezes por dia à maternidade e, durante uma hora, aproximadamente, coloca o bebé no peito, verticalmente, entre os seios, em contacto directo com a pele.
Este contacto tem um poder tranquilizante e reconfortante para ambos, para a mãe e para o bebé, mas o aspecto mais surpreendente são os efeitos físicos: os bebés tratados com a terapia do canguru reforçam as defesas imunitárias, regularizam a respiração e o ritmo cardíaco e aumentam de peso.

 
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