Mais tarde ou mais cedo, chega para todas as mães, o dia fatídico em que o próprio filho lhe pede explicações sobre o tempo que ela passa fora de casa
Geralmente, acontece quando a criança começa a frequentar o jardim-de-infância e, tendo como instrumento de comparação os próprios colegas, começa a confrontar os comportamentos e os hábitos dos seus pais com os das famílias das outras crianças. E, então, surge a pergunta fatídica: "Mamã, porque é que trabalhas?". Uma pergunta capaz de pôr em pânico até a manager mais convencida e que abre as portas e um monte de complexos de culpa. Na realidade, a criança está apenas a tomar consciência de uma realidade que observa e cabe à mãe afastar a própria ansiedade e ter o cuidado de não interpretar esta pergunta como uma reprovação.
A criança vê alguns amigos do jardim-de-infância que, por exemplo, são acompanhados pela mãe, em vez da avó ou da tia. E é também a mãe que os vai buscar à saída. Na prática, a criança percebe imediatamente que há mães mais presentes do que a sua e, inevitavelmente, tentará compreender por que é que na sua família as coisas funcionam desse modo. O aspecto psicológico ao qual deve ser dada atenção é que a criança poderá pensar – sobretudo se a mãe for reticente em dar-lhe explicações – que se a mãe não passa mais tempo com ele, a culpa é dele.
Também neste caso, é necessário não ter pressa e explicar a situação com calma e dedicação absoluta, bem como tranquilizar a criança, dando-lhe os instrumentos para desenvolver um pensamento crítico e autónomo acerca das emoções que sente. Se por um lado, é aconselhável sublinhar as vantagens económicas ligadas ao trabalho (o trabalho é necessário para comprar alimentos, roupa e mesmo os brinquedos) e especificar que, mesmo que não esteja presente fisicamente, não passa um momento sem que a mãe pense no seu filho, por outro lado, não se deve transmitir a ideia de que a mãe vai para o trabalho como se fosse algo de desagradável.
É preferível dizer à criança que o trabalho é uma ocupação agradável, uma tarefa que se faz de boa vontade (algumas vezes significará mentir despudoradamente, mas é por uma boa causa). Para ser mais incisiva neste aspecto pode contar-lhe como passa o seu dia de trabalho. Se a criança já for mais crescida, pode envolvê-la directamente, pedindo-lhe para sugerir alguma nova ideia, para pôr em prática no trabalho ou conselhos sobre como resolver alguns pequenos problemas.
Para tornar o seu filho ainda mais participante e fazê-lo sentir mais próximo e mais envolvido, assim que for possível, leve-o um dia ao seu local de trabalho; isto fará a criança sentir-se importante e parte integrante da actividade da mãe e aprenderá a respeitar as suas opções. A criança começará a ver que muitas outras crianças vivem como ela e, muito em breve, terá orgulho na sua mãe. Certamente, o ciúme em relação ao "tempo roubado", que é o trabalho da mãe, não se ultrapassa imediatamente mas, pelo menos, a criança terá todos os instrumentos para compreender que o trabalho da mãe fora de casa não diminui em nada o amor que ela lhe tem. |