Dizer sempre que sim aos filhos não os ajuda a crescer, nem sequer os ajuda a aprender a enfrentar as situações difíceis que encontrarão no futuro
Para crescer do melhor modo, aprendendo a discernir o que é possível ou não fazer ou obter, uma criança precisa que os pais lhe digam que não? À volta desta pergunta desenvolveram-se diferentes teorias: há quem seja completamente favorável e quem não o seja tanto assim...
A favor do “não”, exprimiu-se a psicoterapeuta infantil Asha Phillips, que escreveu o livro “O não que ajuda a crescer”. Afirma que as situações em que a criança faz birras porque não quer ir dormir quando a mãe lhe diz ou que pretende todos os dias um presente representam só alguns dos exemplos mais comuns, nos quais os pais devem dizer “não”.
Mas por preguiça, cansaço ou temor de desestabilizar a relação com próprio filho, sempre mais frequentemente não se pronuncia o decisivo “não”. Não se deve esquecer, no entanto, que juntamente com as concessões, dizer que não ao próprio filho também lhe permite travar os impulsos e controlar os desejos: na prática, suportar as condições de adversidade que se apresentarão ao longo da vida.
Talvez nem todos saibam que, através de uma educação de sentido único, feita somente de aprovações, se nega à criança a possibilidade de crescer com a consciência de estar pronta a enfrentar as proibições que a vida, mais tarde ou mais cedo, lhe reservará. Nestas situações, quando for adolescente ou adulto encontrará grande dificuldade em compreendê-las e aceitá-las e, sobretudo, não saberá como enfrentá-las, arriscando-se a cometer alguns erros.
Assim, quando for necessário, é aconselhável dizer que “não” aos próprios filhos. A doutora Phillips considera que cada etapa da vida necessite de pequenas ou grandes negações. Para além do mais, é fundamental que os pais compreendam que um “não” não implica necessariamente uma recusa ou uma prevaricação. Pelo contrário, pode ser uma demonstração de confiança na força e nas capacidades de uma pessoa.
Concluindo, dizer que não com decisão, no momento oportuno, pode ser o ponto de partida para um crescimento equilibrado e feliz. No entanto, é aconselhável não exagerar e não esquecer que, por vezes, se pode obter um resultado melhor, fazendo algumas excepções como, por exemplo, gratificando os filhos quando se comportam de modo correcto. |