Ontem teve dois encontros de trabalho, comeu uma sandes à pressa e chegou ao ginásio cansadíssima. Hoje descobriu que está à espera de bebé…
O início de uma gravidez é talvez, entre todas as “novidades” a que mais concentra sonhos e expectativas. Fala-se tanto sobre este período que, por vezes, nos esquecemos de como é íntima e complexa esta emoção e, se por um lado, nos admiramos porque a gente que encontramos na rua não dá conta do nosso estado, por outro, nós próprias nos encontramos confusas e pensamos continuamente “será verdade ou estou a sonhar?”. Voltamos a ver, vezes sem conta, o teste positivo, temos medo de o ter interpretando mal e estarmos iludidas. Depois, chega a altura das primeiras análises de confirmação: é mesmo verdade, uma nova vida está a crescer dentro de nós.
As primeiras semanas são, frequentemente, vividas numa espécie de “suspensão”. Afina-se a atenção aos sinais que o corpo envia: os seios “fazem-se sentir” e parecem-nos maiores, aumenta a sensibilidade aos cheiros e a certos sabores, sentimo-nos cansadas. O corpo que conhecíamos está a mudar e isto poderá provocar alguma ansiedade. Felizmente, é muito frequente que estes pequenos problemas, mais ou menos incomodativos, sejam acompanhados por uma sensação de grande calma e paz interior. A maior parte das mulheres, durante os primeiros dias, tão especiais, da gravidez - são os dias nos quais se comunica a gravidez ao próprio companheiro, à família, partilhando alegrias e medos – sente-se no centro de um acontecimento extraordinário, ao qual teme dar completa confiança: sabe-se bem que os primeiros três meses são os mais delicados e que o melhor modo para serem vividos é aceitar com serenidade o que o destino nos reserva.
Mulheres do nosso tempo
Se esta é a situação psicológica, não podemos esquecer a vivência quotidiana ordinária: nesta fase da vida, a mulher està no auge da actividade profissional, segue quotidianamente a agenda dos seus compromissos e questiona-se se, entre os hábitos consolidados, não haverá alguns que possam ser prejudiciais para a gravidez. Talvez utilize a bicicleta para as suas deslocações ou esteja em tratamento no dentista, tem radiografias marcadas ou então alimenta-se de modo desordenado porque se ressente do stress do trabalho ou tem programada uma viagem num país exótico...
Na realidade, a gravidez é uma condição natural e não exige a transformação radical da própria vida! Tudo o que se fazia até aí quase mecanicamente é visto com um novo olhar, já não pensa somente em si própria. Um bom hábito é dedicar um pequeno caderno, para escrever todas as dúvidas e as perguntas que lhe vêm à cabeça, para durante a consulta com o ginecologista, poder esclarecer o que pode ou não fazer. Se estiver em tratamento nalgum especialista (o dentista, por exemplo, ou as radiografias acima referidas) é oportuno comunicar-lhe o mais brevemente possível, que está grávida, de modo a que possa decidir o que fazer. Depois de resolvidas as questões práticas, a maior parte dos comportamentos estabilizar-se-á por si. Se tiver uma boa relação com o próprio corpo, respeitará os sinais que lhe envia e, se a gravidez for desejada ou aceite com alegria, será emocionante descobrir uma condição de maior “naturalidade”, e dar conta que o corpo possui uma sabedoria, capaz de a guiar nesta nova fascinante aventura. |